ÁLVARO
DE SOTO
Diplomata
peruano, enviado das Nações Unidas ao Oriente Médio

Que
papel as Nações Unidas podem desempenhar no caminho
conducente à paz no Oriente Médio?
O
secretário-geral percebe que existe um movimento diplomático
que, talvez, se bem utilizado, pode dar um impulso ao processo
de paz. Em relação à iniciativa de paz árabe, fala-se,
hoje, muito mais dela – inclusive em Israel, onde as
autoridades estão a dizer coisas positivas. Há o processo
iniciado pelo Quarteto [EUA, União Européia, Rússia e ONU].
A secretário de Estado, Condoleezza Rice, tem movido esforços.
O secretário-geral está combinando tudo isso com uma
primeira tentativa de fazer contato com os atores principais
da área em conflito, que devem estar comprometidos para que
haja a revitalização do processo de paz. Em termos
concretos, existem já as proposições.
O
secretário-geral afirmou que a estudava a possibilidade de a
próxima reunião do Quarteto convidar israelenses, palestinos
e representantes de alguns países árabes. Pensa que isso
poderá concretizar-se?
É
uma idéia que vem sendo discutida dentro do Quarteto. Não se
chegou a uma decisão na última reunião, de 21 de fevereiro
[de 2007], em Berlim. Foi sondada a hipótese junto ao
primeiro-ministro Ehud Olmert, durante a visita do secretário-geral
a Israel, e ele respondeu que faria consideração positiva a
respeito.
Portanto,
o principal papel que cabe às Nações Unidas, daqui por
diante, é facilitar o diálogo entre as partes?
Esse
é um dos papéis da ONU e de seu secretário-geral. Tem que
se considerar também que o secretário-geral é, pela sua função,
de certa maneira, o guardião da legitimidade do processo –
segundo todos os que estão comprometidos com as resoluções
do Conselho de Segurança sobre o Oriente Médio. Ele tem uma
responsabilidade de assegurar que elas [as resoluções do
Conselho de Segurança] sejam respeitadas.